"There's a little black spot on the sun today,
Existe um pequeno ponto preto no sol hoje,
It's the same old thing as yesterday.
É a mesma coisa velha de ontem.
There's a black hat caught in a high tree top,
Tem um chapéu preto preso no alto de uma árvore,
There's a flag pole rag and the wind won't stop.
Tem um mastro com uma bandeira e o vento não vai parar,
I have stood here before inside the pouring rain
Eu já fiquei aqui parado antes na chuva
With the world turning circles running 'round my brain.
Com o mundo dando voltas em volta do meu cérebro.
I guess I'm always hoping that you'll end this reign,
Acho que eu estou sempre esperando que você vá terminar este reino,
But it's my destiny to be the king of pain.
Mas é meu destino ser o rei da dor."
King of the Pain, de Alanis Morissette. Gosto muito dessa música... tem uma melodia meio triste, uma letra cujo significado nem sei compreendo plenamente, mas que sempre me faz pensar. Pensar sobre mim, a vida, as escolhas, a rotina, o mundo, o eu. E creio que é disso que esse exercício se trata, por isso achei interessante comentar. E, nesses dias, estive nessa "vibe" reflexiva.
Essa semana foi muito corrida e carregada de tensões e preocupações, o que me impediu de reparar atentamente nas coisas que fiz durante meu dia, mas isso não afeta minha capacidade de refletir sobre elas agora. Pularei os detalhes, não se preocupem.
Como todos os dias, acordei bem cedo para ir ao trabalho. Estava chovendo e, quando olhei pela janela, tive a sorte de ver um belo arco-íris. Sempre que vejo um, lembro da história bíblica do concerto que Deus fez com Noé. Gosto de pensar nisso e ver como um sinal que permanece também pra nós. :) Saindo de casa, gosto de reparar no céu, na forma das nuvens, nas árvores, nos carros, nas pessoas. Por mais soltos que estejam meus pensamentos, sempre faço isso, adquiri esse hábito ainda criança. Olhar as formas que me cercam me ajuda a pensar com mais clareza. São nesses momentos de observação - mesmo que não tão atenta - que tenho as melhores conversas com meus botões e, muitas vezes, surgem as melhores "epifanias".
Durante a manhã, fiz várias leituras. Nessas horas gosto de observar os padrões nas escritas que produzimos, as marcas das pessoas em seus textos. Por exemplo, existem pessoas que marcam pelo uso frequente de uma(s) determinada(s) palavra(s). Na função de redatora, procuro sempre esses padrões para desmontá-los e, por muitas vezes, a persistência incansável dessas ocorrência me irrita. Ainda assim, continuo lendo, escrevendo, autorando.
Tiro alguns momentos para conversar com meus colegas. As conversas são as mais variadas possíveis: vão da última notícia bizzara no site G1 ou Yahoo, até assuntos mais complexos como religião, espiritualidade... ou mesmo a fofoca do dia. Acontece. Nessas conversas, procuro prestar atenção na heterogeneidade de pensamentos, discursos, crenças, temperamentos. Procuro bancar a mediadora, certas vezes, quando percebo sinais de que os ânimos estão se exaltando ou os limites recomendáveis já foram extrapolados. Ainda assim, são ocasiões preciosas de aprender com as pessoas.
Falando nisso, tenho procurado seguir a máxima de que você sempre pode aprender algo, seja lá o que for e como for, assim, procuro ficar atenta aos sinais e informações que recebo, buscando extrair o mais proveitoso daquilo. Tento ser uma "cientista social" (nas mínimas proporções) nos mais diversos momentos. Assistir pessoas tem se tornado uma experiência científica. Pessoas são estranhas, engraçadas, curiosas, muito estranhas.
Lugar muito rico pra esses experimentos é um ônibus. As pessoas se comportam das formas mais inesperadas dentro de um ônibus. Acho que, por muitas vezes, estar em um pode trazer seus instintos mais primitivos à tona. Em outras, traz seus pensamentos mais profundos. Sou dessas. Adoro elaborar teorias de ônibus. Um dia escrevo um livro, que já tem até nome, Memórias do Coletivo. Mas isso é outro assunto.
Já na faculdade, aulas. Boas aulas, aulas medianas... aulas. Informações, informações, mais informações. Algumas que meu cérebro desatento de hoje não consegue captar da maneira usual, ou pelo menos, satisfatória. Fico pensando, divagando, imaginando, planejando. Lembro dos trabalhos por fazer, das leituras, dos seriados, filmes, fome... Opa, isso não pertence ao conjunto, esquece. Aulas, informações, leituras, vídeos, trabalhos... Fim. Corro pro treino de muay thai (sim, "faço" muay thai, mas não bato em ninguém, só em almofadinhas~ que são mais fortes que eu). É uma experiência nova, interessante. Gosto de observar os jeitos como os atletas realizam os movimentos, sua destreza que, nem sempre, consigo copiar. Fico imaginando quanto tempo posso levar pra desenvolver tamanho equilíbrio que me falta. Procuro me esforçar, aperfeiçoar movimentos. Em uns momentos funciona, noutros... nem tanto. Tento me concentrar, mas fica difícil. Me pego pensando de novo nas coisas pendentes, na vida, no universo e tudo mais. Fim do treino.
Ônibus de novo. Teorias, pensamentos, filosofias, observações, músicas com letras que me fazem refletir (inclusive King of Pain, que me inspira nesta hora em que vos escrevo). Acho que os momentos nos quais alcanço os maiores índices de concentração são esses. Penso também na minha casa, meu quarto, minha cama, minha preguiça, meu sono. Em poucos minutos tudo isso pode se tornar realidade, graças! Cansaço.
Sanadas as necessidades básicas do ser humano (banho, comida, internet e cama), fico sem sono, pensando. Lembro do que fiz durante o dia, o que faltou fazer, o que gostaria de fazer, o que vou fazer e aquilo que nunca vou fazer. Planos. Pra hoje, pra amanhã, pro próximo mês, pro próximo ano, pra próxima década. Planejar é sempre bom. Só é difícil seguir o planejamento, mas planejemos mesmo assim. Reflito sobre o dia, o que aprendi, o que poderia ter dito. Penso, converso com Deus, comigo mesma, com os botões. Começa um ciclo mental: lembro, penso, calculo, planejo, reflito, converso, esqueço.
Em meio a esses pensamentos e reflexões, de repente, tudo se apaga.
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