quinta-feira, 18 de abril de 2013

Observando...

"There's a little black spot on the sun today,
Existe um pequeno ponto preto no sol hoje,
It's the same old thing as yesterday.
É a mesma coisa velha de ontem.
There's a black hat caught in a high tree top,

Tem um chapéu preto preso no alto de uma árvore,
There's a flag pole rag and the wind won't stop.
Tem um mastro com uma bandeira e o vento não vai parar,
I have stood here before inside the pouring rain
Eu já fiquei aqui parado antes na chuva 
With the world turning circles running 'round my brain.

Com o mundo dando voltas em volta do meu cérebro.
I guess I'm always hoping that you'll end this reign, 
Acho que eu estou sempre esperando que você vá terminar este reino,

But it's my destiny to be the king of pain.
Mas é meu destino ser o rei da dor."

King of the Pain, de Alanis Morissette. Gosto muito dessa música... tem uma melodia meio triste, uma letra cujo significado nem sei compreendo plenamente, mas que sempre me faz pensar. Pensar sobre mim, a vida, as escolhas, a rotina, o mundo, o eu. E creio que é disso que esse exercício se trata, por isso achei interessante comentar. E, nesses dias, estive nessa "vibe" reflexiva.

Essa semana foi muito corrida e carregada de tensões e preocupações, o que me impediu de reparar atentamente nas coisas que fiz durante meu dia, mas isso não afeta minha capacidade de refletir sobre elas agora. Pularei os detalhes, não se preocupem.

Como todos os dias, acordei bem cedo para ir ao trabalho. Estava chovendo e, quando olhei pela janela, tive a sorte de ver um belo arco-íris. Sempre que vejo um, lembro da história bíblica do concerto que Deus fez com Noé. Gosto de pensar nisso e ver como um sinal que permanece também pra nós. :) 
Saindo de casa, gosto de reparar no céu, na forma das nuvens, nas árvores, nos carros, nas pessoas. Por mais soltos que estejam meus pensamentos, sempre faço isso, adquiri esse hábito ainda criança. Olhar as formas que me cercam me ajuda a pensar com mais clareza. São nesses momentos de observação - mesmo que não tão atenta - que tenho as melhores conversas com meus botões e, muitas vezes, surgem as melhores "epifanias". 

Durante a manhã, fiz várias leituras. Nessas horas gosto de observar os padrões nas escritas que produzimos, as marcas das pessoas em seus textos. Por exemplo, existem pessoas que marcam pelo uso frequente de uma(s) determinada(s) palavra(s). Na função de redatora, procuro sempre esses padrões para desmontá-los e, por muitas vezes, a persistência incansável dessas ocorrência me irrita. Ainda assim, continuo lendo, escrevendo, autorando.

Tiro alguns momentos para conversar com meus colegas. As conversas são as mais variadas possíveis: vão da última notícia bizzara no site G1 ou Yahoo, até assuntos mais complexos como religião, espiritualidade... ou mesmo a fofoca do dia. Acontece. Nessas conversas, procuro prestar atenção na heterogeneidade de pensamentos, discursos, crenças, temperamentos. Procuro bancar a mediadora, certas vezes, quando percebo sinais de que os ânimos estão se exaltando ou os limites recomendáveis já foram extrapolados. Ainda assim, são ocasiões preciosas de aprender com as pessoas. 

Falando nisso, tenho procurado seguir a máxima de que você sempre pode aprender algo, seja lá o que for e como for, assim, procuro ficar atenta aos sinais e informações que recebo, buscando extrair o mais proveitoso daquilo. Tento ser uma "cientista social" (nas mínimas proporções) nos mais diversos momentos. Assistir pessoas tem se tornado uma experiência científica. Pessoas são estranhas, engraçadas, curiosas, muito estranhas. 

Lugar muito rico pra esses experimentos é um ônibus. As pessoas se comportam das formas mais inesperadas dentro de um ônibus. Acho que, por muitas vezes, estar em um pode trazer seus instintos mais primitivos à tona. Em outras, traz seus pensamentos mais profundos. Sou dessas. Adoro elaborar teorias de ônibus. Um dia escrevo um livro, que já tem até nome, Memórias do Coletivo. Mas isso é outro assunto.

Já na faculdade, aulas. Boas aulas, aulas medianas... aulas. Informações, informações, mais informações. Algumas que meu cérebro desatento de hoje não consegue captar da maneira usual, ou pelo menos, satisfatória. Fico pensando, divagando, imaginando, planejando. Lembro dos trabalhos por fazer, das leituras, dos seriados, filmes, fome... Opa, isso não pertence ao conjunto, esquece. Aulas, informações, leituras, vídeos, trabalhos... Fim. Corro pro treino de muay thai (sim, "faço" muay thai, mas não bato em ninguém, só em almofadinhas~ que são mais fortes que eu). É uma experiência nova, interessante. Gosto de observar os jeitos como os atletas realizam os movimentos, sua destreza que, nem sempre, consigo copiar. Fico imaginando quanto tempo posso levar pra desenvolver tamanho equilíbrio que me falta. Procuro me esforçar, aperfeiçoar movimentos. Em uns momentos funciona, noutros... nem tanto. Tento me concentrar, mas fica difícil. Me pego pensando de novo nas coisas pendentes, na vida, no universo e tudo mais.  Fim do treino. 

Ônibus de novo. Teorias, pensamentos, filosofias, observações, músicas com letras que me fazem refletir (inclusive King of Pain, que me inspira nesta hora em que vos escrevo). Acho que os momentos nos quais alcanço os maiores índices de concentração são esses. Penso também na minha casa, meu quarto, minha cama, minha preguiça, meu sono. Em poucos minutos tudo isso pode se tornar realidade, graças! Cansaço. 

Sanadas as necessidades básicas do ser humano (banho, comida, internet e cama), fico sem sono, pensando. Lembro do que fiz durante o dia, o que faltou fazer, o que gostaria de fazer, o que vou fazer e aquilo que nunca vou fazer. Planos. Pra hoje, pra amanhã, pro próximo mês, pro próximo ano, pra próxima década. Planejar é sempre bom. Só é difícil seguir o planejamento, mas planejemos mesmo assim. Reflito sobre o dia, o que aprendi, o que poderia ter dito. Penso, converso com Deus, comigo mesma, com os botões. Começa um ciclo mental: lembro, penso, calculo, planejo, reflito, converso, esqueço.

Em meio a esses pensamentos e reflexões, de repente, tudo se apaga.




segunda-feira, 15 de abril de 2013

O que é Semiótica?

Atividade 02: Fichamento "O que é Semiótica?" de Lúcia Santaella
Páginas 1 a 8

Minha seleção de pontos principais do texto.  :)
  • O termo Semiótica vem da raiz grega semeion que significa signo, assim, a Semiótica é a ciências dos signos.
  • Semiótica é a ciência geral de todas as linguagens.
  • Durante o século XX, duas ciências nasceram: a Linguística e a Semiótica; a Linguística sendo a ciência da linguagem verbal, enquanto a Semiótica, a ciência de toda e qualquer linguagem.
  • Isso porque nós, seres humanos, somos uma espécia animal tão complexa quanto são complexas e plurais as linguagens que nos constituem como seres simbólicos, isto é, seres de linguagem.
  • Existe uma linguagem verbal, linguagem de sons que veiculam conceitos e que se articulam no aparelho fonador, sons estes que, no Ocidente, receberam uma tradução visual alfabética (linguagem escrita), mas existe simultaneamente uma enorme variedade de outras linguagens que também se constituem em sistemas sociais e históricos de representação do mundo.
  • Portanto, quando dizemos linguagem, queremos nos referir a uma gama incrivelmente intrincada de formas sociais de comunicação e de significação que inclui a linguagem verbal articulada, mas absorve também, inclusive, a linguagem dos surdos mudos, o sistema codificado da moda, da culinária e tantos outros.
  • Considerando que todo fenômeno de cultura só funciona culturalmente porque também é um fenômeno de comunicação, e considerando-se que esses fenômenos só comunicam porque se estruturam como linguagem, pode-se concluir que todo e qualquer fato cultural, toda e qualquer atividade ou prática social constitue-se como práticas significantes, isto é, práticas de produção de linguagem e de sentido.
  • Mais além, de todas as aparências sensíveis, o homem desvela significações (em busca de compreender os fenômenos que se apresentam).
  • É no homem e pelo homem que se opera o processo de modificação dos sinais (estímulos emitidos pelos objetos do mundo) em signos ou linguagens (produtos da consciência).
  • O termo linguagem se estende aos sistemas aparentemente mais inumanos até tudo aquilo que, na natureza, fala ao homem e é sentido, por ele, como linguagem.
  • A Semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objeto o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno como fenômeno de produção de significação e de sentido.
  • A Semiótica é a mais jovem das ciências humanas :)
  • Surgiu - quase simultaneamente - em três pontos do planeta: Estados Unidos, União Soviética e Europa.
  • Nos EUA, o seu "progenitor" foi Charles Sandres Pierce (ou apenas Pierce, para os íntimos), que viveu de 1839 a 1914 sem receber o devido reconhecimento por sua genialidade, trabalho nas mais diversas áreas de conhecimento e especial dedicação à "criação" da Semiótica.

"Pierce era uma espécia de filósofo que era, em primeiro lugar, um cientista, e uma espécie de cientista que era, em primeiro lugar, um lógico da ciência. Nenhuma universidade, grande ou pequena, do seu tempo, soube o que fazer com tal filósofo ou com tal cientista."
Max H. Fisch, filósofo nore-americano.  

  • Primeiro Pierce concebeu a lógica propriamente dita como sendo um ramo da Semiótica. Mais tarde, adotou uma concepção mais ampla da Lógica, que era quase coextensiva com uma teoria geral de todos os tipos possíveis de signos.
  • A Semiótica pierceana é, na realidade, uma Filosofia científica da linguagem, sustentada em bases inovadoras que revolucionam os alicerces de 25 séculos de Filosofia ocidental.
  • Pierce considera 3 tipos de ciência: ciências da descoberta (Matemática, Filosofia e as ciências especiais - dividades em físicas e humanas), ciências da digestão e as ciências aplicadas. A Semiótica está localizada entre a Matemática e a Ideoscopia (ciências especiais), dentre as ciências da observação.
  • Pierce postulava que o universo está em expansão contínua na mente humana, logo, não há princípios absolutos. Daí sua teoria do Falibilismo: pensamentos, pensadores e pesquisadores são falíveis.
  • Para Pierce, a Fenomenologia, como base fundamental para qualquer ciência, tem por papel observar os fenômenos e, através da análise, postular as formas ou propriedades universais desses fenômenos. A Fenomenologia independe das ciências normativas.
  • Fenômeno é tudo aquilo que aparece à mente, corresponda a algo real ou não.
  • A Semiótica tem por função classificar e descrever todos os tipos de signos logicamente possíveis.
  • Em 1867, Pierce denominou três categorias lógicas, universais que englobam toda experiência e todo pensamento e estendem-se para a natureza básica de todas as coisas, físicas e psicológicas: Qualidade, Relação e Representação - ou, para fins ciêntíficos: Primeiridade, Secundidade e Terceiridade.
  • Em nível geral: Primeiridade - corresponde ao acaso, originalidade irresponsável e livre variação espontânea; Secundidade - corresponde à ação e reação dos fatos concretos, existentes e reais; Terceiridade - diz respeito à mediação ou processo, crescimento contínuo e devir sempre possível pela aquisição de novos hábitos. 

And that's all, folks!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Day and Night

Day and Night. M.C. Escher - 1938

Maurits Cornelis Escher, ou, como é chamado, M. C. Escher, foi um artista gráfico holandês que ficou famoso por seus trabalhos com xilografia, litografia e mezzotints nos quais explorava a composição e disposição matemática dos elementos com padrões geométricos (ou não) na telas, criando efeitos de ilusões de ótica que procuravam representar metamorfoses, o infinito e arquitetura, dentre outros.

A imagem acima é de sua obra Day and Night, de 1938. Esta foi minha escolha porque, além de ser uma belíssima xilogravura, acredito que causa um forte impacto no observador. A riqueza de sua estruturação, feita com verdadeira perfeição matemática, me leva a refletir sobre inúmeras coisas. Mas, a ideia mais forte que me ocorre é que Escher nos remete a uma representação de um ponto de encontro de opostos, como a fusão do dia com a noite, do negro com o branco, do bem com o mal, entre outras. Não existe uma real separação entre ambos, mas apenas um caminho realizado rumo à mistura dos elementos. Acredito que esse quadro possa representar a busca por um momento de reorganização de nossa essência interior, no qual nossas dicotomias (bem e mal, aparência e essência, interno e externo, público e privado, etc., etc. e etc.) se mesclam e se reorganizam. Enfim, a imagem me faz pensar na busca por um ponto de equilíbrio, uma harmonia entre os opostos de um mesmo ser.