“Em um primeiro momento,
pelo menos, temos de dar aos signos o tempo que eles precisam para se mostrarem.”
É com essa citação que
começo minha análise (acho, no caso, essa palavra muito audaciosa, visto que
não me acho conhecedora o suficiente das teorias semióticas para realizar uma
verdadeira análise de uma obra de arte dentro desta perspectiva). Prefiro dizer
que apenas exporei minhas impressões quanto ao processo de observação (falando
em termos gerais) e, neste percurso, tentarei fazer conexões com os conceitos
estudados na disciplina até agora.
De todas as
diversas e belas obras que tive a oportunidade de ver em nossa visita ao Museu
de Arte da UFC (MAUC), várias me chamaram a atenção, claro. A riqueza e
variedade das obras é um prato cheio para todo e qualquer apreciador (mesmo que
bem amador – e esta é minha condição) da arte. Entretanto, para termos de
exposição de minhas impressões, cheguei à conclusão que me sentiria mais à
vontade falando do quadro “Amazonas guerreando” de Antonio Bandeira (Bandeira,
sem o s, diferenciando-se, assim, do ator). Enfim, a imagem do quadro é esta
que segue abaixo:
Pois bem, retomando as
palavras de Santaella: “Em um primeiro momento, pelo menos, temos de dar aos
signos o tempo que eles precisam para se mostrarem.” Em um primeiro momento
esse quadro pode não parecer nada além de rabiscos. Para um observador mais
desavisado, não passaria apenas de manchas de tintas sobre uma tela. Na
primeiridade da contemplação, acredito que o efeito mais comum seja o de
estranhamento, ou até mesmo desconforto com a aparente bagunça das “manchas de
tinta” jogadas na tela. Eu mesma confesso que me senti um pouco incomodada
quando notei o quadro na parede branca. Pensando no quadro como um signo num
todo, todas aquelas manchas de tinta bagunçadas não passavam de possibilidades
qualitativas, inicial e aparentemente sem significado determinado.
Mas então, após o estranhamento, passei a reparar e analisar
o quadro. Suas cores, formas, composição. Enfim, esquadrinhei seus elementos
visuais. Confesso que não fiz isso pensando nos passos da análise semiótica,
fiz por instinto mesmo, pura curiosidade e necessidade de desvendar aquela
incógnita que se apresentava naquele momento. Enfim, passei a observar
cuidadosamente o signo. Percebi as coisas que tornavam aquela obra única, seus
traços, sua combinação de cores, as formas. Observei tudo que pude e meu
sentimento para com a obra começou a moldar-se ao pensamento. Não havia mais o
estranhamento, desconforto. Parecia que, mesmo sem compreender suas motivações,
o quadro já passava uma mensagem, demonstrava sua unicidade e seu rico
potencial interpretativo. Nesse momento, acredito que iniciou-se um processo
terceiro em minha mente, quando procurei racionalizar a respeito daquilo.
Busquei informações. Quando vi o título da obra, Amazonas Guerreando, pode
então captar um pouco das potenciais significações ali apresentadas. Pensei
sobre sua possível história, o fato dele estar ali, naquela dada exposição.
Analise-o novamente e procurei abstrair o geral do particular, percebi em suas
formas, os contornos que, de fato (ou pelo menos em minha mente), sugeriam a
mensagem passada pelo título. Nos círculos amarelos, em conjuntos com traços
pretos e quadrados azuis, já podia perceber as representações de amazonas, com
as mãos na boca, como que gritando para anunciar uma guerra, dando um sinal
para as outras atacarem seus inimigos. Comecei então a fazer uma série de
significações daquelas imagens e suas potenciais mensagens.
Creio
que, nessa experiência, foi possível alcançar os três de olhares. O primeiro,
da apreensão do objeto imediato do quali-signo, condição causada pelo poder de
sugestão da aparência do mesmo. Em seguida, a contemplação da materialidade do
sin-signo, a sua simples condição de existir como parte de um universo maior. E
então o olhar dirigido ao fundamento do legi-signo, considerando sua
propriedade de lei, em cujo estágio a análise do objeto imediato leva ao objeto
dinâmico, que já nos leva a analisar do modo como o signo transmite algo ao seu
observador, ou seja, o caráter de representação do signo, no caso, simbólico,
já que as formas do quadro simbolizam as amazonas e nos transportam, de certa
forma, para o seu contexto, para um campo de referências relacionadas ao
assunto em questão e que nos permite realizar as conexões que nos trazem a
mensagem do signo.
Entretanto,
como disse no começo, essa são minhas impressões da obra, e como sabemos, o
signo é múltiplo e pode variar de acordo com o olhar do observador. Mesmo não
dependendo totalmente do intérprete, cada um pode dar uma significação
modificada (até certo ponto) da mensagem.

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